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Sabia que uma única pessoa conflituosa na sua vida pode acrescentar até nove meses à sua idade biológica? Sim, como se seu organismo dissesse: “Com essa pessoa por perto, é melhor envelhecer rápido e poupar o drama” 😅.
Não é só uma metáfora. Vários estudos recentes mostram que as relações problemáticas aceleram o envelhecimento biológico e aumentam o risco de doenças crônicas, desde problemas cardíacos até deterioração cognitiva.
Neste artigo explico, a partir da psicologia e da ciência, como se adoece ao se vincular com pessoas conflituosas, o que acontece nas suas células e o que você pode fazer para se proteger sem ter que se mudar para uma ilha deserta 🏝️.
Um trabalho recente publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) analisou o impacto das relações negativas na saúde. Os resultados são tão claros quanto preocupantes:
O cardiologista e divulgador Eric Topol destacou esses achados porque não ficam apenas no “você se sente mal emocionalmente”. Os cientistas conseguiram medir esses efeitos a nível molecular.
Como eles fizeram
Resultado
Aqueles que se relacionavam habitualmente com pessoas conflituosas mostraram mudanças claras nessas marcas epigenéticas, coerentes com um envelhecimento biológico mais rápido.
Em outras palavras, seu corpo regista as brigas, o mau trato, a crítica constante e a tensão. E não o faz em poesia, faz-no no ADN.
Sugiro ler: Sinais de uma amizade tóxica: como se afastar
Da psicologia sempre falamos do “estresse relacional”. Mas agora sabemos com bastante precisão o que acontece ao seu organismo quando você permanece no meio de conflitos crónicos 😓.
Os estudos recentes e a minha experiência clínica coincidem em vários pontos-chave.
1. Aumenta a inflamação crónica
Pessoas que convivem com vínculos nocivos apresentam com mais frequência:
Em consulta tenho visto pacientes que, depois de anos suportando humilhações de um chefe ou de um familiar, desenvolvem:
Quando começamos a trabalhar limites e, em alguns casos, distância emocional, não exagero se digo que o corpo deles começou a melhorar antes da autoestima.
2. Os telómeros encurtam
Os telômeros são estruturas que protegem as extremidades dos cromossomas. O seu encurtamento está relacionado com:
O estresse crónico causado por vínculos tóxicos contribui para que esses telômeros se encurtem antes. É como se suas células dissessem: “Com esse nível de drama, não chego à reforma”.
3. O sistema imunitário se desequilibra
A equipa do sociólogo Byungkyu Lee e outros investigadores observou que pessoas expostas a mais relações negativas apresentavam:
Isto encaixa com o que muitos pacientes contam
“Desde que convivo com meu cunhado agressivo, fico doente de tudo”. “Desde que estou nessa relação, vivo com enxaquecas”. Nada disso é casual.
Sugiro ler: Essas características são habituais numa relação de casal tóxica
Nem todas as relações negativas impactam da mesma forma. A investigação e a prática clínica mostram que importa quem é a pessoa conflituosa e como você se relaciona com ela.
1. Família problemática, maior desgaste
A equipa de Byungkyu Lee, na Universidade de Nova Iorque, detectou algo muito interessante
Pense em
Por que afetam tanto
Em terapia muitas vezes vejo algo assim
A pessoa suporta coisas que jamais toleraria de um desconhecido. Mas o preço, em termos de saúde física e mental, acumula-se como uma dívida com juros.
2. “Amigos-inimigos” e relações ambivalentes
As relações mais perigosas às vezes não são as claramente más, mas as ambivalentes, os famosos “amigos-inimigos” 😬.
Investigações ligadas a universidades como a de Utah mostram que essas relações, em que você não sabe se a pessoa apoia ou trai, provocam:
Como explicou um dos investigadores, a mesma pessoa que hoje te abraça, amanhã pode ridicularizar. Essa imprevisibilidade esgota o sistema nervoso.
3. Quem tem mais probabilidade de rodear-se de pessoas conflituosas
O estudo da PNAS observou que certos grupos se expõem mais a vínculos problemáticos
Em consulta vejo com frequência um padrão
Quem cresceu em ambientes violentos ou caóticos aprende a “normalizar” o conflito. Já adulto, muitas vezes escolhe, sem perceber, parceiros, chefes e amizades que repetem esse nível de mal-estar. O corpo, entretanto, paga essa fatura.
Talvez se pergunte “E como sei se uma relação me soma anos biológicos ou apenas é uma diferença de caráter”
Esses sinais costumam acender os alarmes.
1. Seu corpo protesta cada vez que vê essa pessoa
2. Sai emocionalmente drenado
3. Sua saúde física se desestabiliza em paralelo
Nas minhas palestras costumo convidar a fazer este exercício
Pense nas três pessoas com quem mais convive ou com quem interage mais tempo. Seu corpo relaxa quando as imagina ou se tensa
Seu organismo responde antes da sua mente racional. E raramente se engana.
Queria que bastasse apertar um botão para apagar pessoas tóxicas como quem apaga contatos do telemóvel 😅. Na vida real há família, trabalho, vizinhança, fatores económicos. Nem sempre pode cortar o vínculo, mas pode reduzir seu impacto na saúde.
1. Limite a exposição, ainda que de forma gradual
Um paciente com um familiar muito conflituoso não podia romper o laço de forma tajante. Começámos com algo simples
Sua pressão arterial começou a melhorar junto com a sensação de controlo.
2. Ponha limites claros
O corpo sofre quando você não estabelece limites. Algumas frases que podem ajudar
A outra pessoa ficará zangada?
Provavelmente sim. Mas sua saúde vale mais do que o conforto dela.
3. Fortaleça suas relações positivas
A boa notícia
Os vínculos saudáveis também se notam nas suas células 💚.
O psicólogo Alex Haslam, da Universidade de Queensland, explica que sentir-se parte de um grupo protege
A ciência mostra que o isolamento social pode ser tão prejudicial quanto a obesidade ou a inatividade física. Por isso, não se trata só de afastar pessoas conflituosas, mas também de:
4. Trabalhe sua história pessoal
Se cresceu rodeado de violência, crítica ou abandono, é possível que hoje
A terapia psicológica ajuda a:
Quando alguém me diz em sessão “Acho que exagero, meu parceiro só me critica quando está de mau humor”, costumo responder algo muito simples
“Seu corpo não exagera. Seus exames, sua insónia e sua ansiedade contam outra história”.
É verdade que uma só pessoa pode afetar tanto a minha saúde
Sim. O estudo da PNAS estima vários meses extras de idade biológica por cada relação conflituosa. E quando tem várias dessas pessoas por perto, o efeito soma-se. Alguns especialistas comparam essa carga biológica à do tabagismo em termos de impacto na esperança de vida.
Que tipo de doenças se relacionam com esses vínculos negativos
Os dados científicos e clínicos apontam para um maior risco de
Serve de algo se eu compensar com relações positivas
Sim. O apoio social positivo protege. Não apaga por completo o dano do estresse crónico, mas reduz. Por isso é tão importante
É egoísta afastar-se de pessoas conflituosas se forem família
Egoísta é pedir ao seu corpo que pague com saúde para sustentar dinâmicas que o prejudicam. Afastar-se às vezes é necessário, mesmo que doa. Pode cuidar, sem destruir-se. Pode ajudar, sem permitir o abuso.
Se há algo que quero que leve disto tudo é o seguinte
As suas células escutam as suas relações. Os seus telômeros, o seu sistema imunitário e o seu coração recebem o impacto de cada conversa hostil e de cada vínculo curador.
Cuidar com quem se relaciona não é um capricho emocional, é uma estratégia de saúde e de longevidade 🧬.
E se agora mesmo pensa em alguém e sente que o corpo se tenciona, não ignore. Talvez aí não haja só um problema emocional, mas também uma parte do seu futuro físico em jogo.
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