La cena te soa familiar, não é? Você se deita, apaga a luz, o mundo se cala... e sua mente começa a trabalhar horas extras 🙃. Problemas familiares, trabalho, o clima mundial, coisas que você disse há cinco anos, tudo chega à festa mental justamente quando você só quer dormir.
Os especialistas citados pelo The Times, e também minha experiência em psicologia clínica e como divulgadora, coincidem: desde
, você pode transformar suas noites e parar de brigar com os pensamentos persistentes.
Vamos organizar esse caos noturno com ciência, psicologia prática e um toque de humor para que não fique tão denso 😌.
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Por que a ansiedade aparece justamente à noite?
Se você sente que a ansiedade se multiplica quando chega a noite, não está sozinho. Estudos recentes calculam que cerca de 8 em cada 10 pessoas experimentam
ansiedade noturna em algum momento da vida.
Durante o dia, sua mente se mantém ocupada: reuniões, conversas, telas, tarefas, trânsito. Essa atividade funciona como uma espécie de ruído de fundo que tapa muitas preocupações.
Quando chega a noite acontece isto:
- O ambiente fica mais silencioso e com menos distrações.
- O cansaço reduz sua resistência emocional.
- O cérebro finalmente tenta processar o que ficou pendente do dia.
A psicóloga Carolyne Keenan, citada pelo The Times, comenta que então
pequenas preocupações se ampliam. Eu vejo isso todos os anos em consulta: o que uma pessoa relativiza às dez da manhã se torna tragédia grega às duas da madrugada.
Do corpo também vem algo importante. O hormônio do estresse, o
cortisol, deveria cair à noite (Sugiro ler:
Como reduzir o cortisol naturalmente). No entanto, se você vive com muito estresse, o cortisol se mantém elevado, seu cérebro interpreta que ainda há perigo e te deixa em
modo alerta justamente quando deveria entrar em
modo travesseiro.
E, para piorar, há fatores externos que não ajudam:
- Mudanças de estação e épocas de festas, que aumentam pressão e balanço de vida.
- Responsabilidades familiares e de trabalho que não param, embora você queira dormir.
- Uso intenso de telas, que enganam seu cérebro com luz e estímulos constantes.
Conclusão: você não é fraco, não está exagerando, seu cérebro e seu corpo simplesmente reagem a uma combinação bem poderosa de estímulos internos e externos.
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Ansiedade noturna: o que os especialistas dizem e o que vejo em consulta
Os especialistas consultados pelo The Times apontam que a ansiedade noturna nasce da mistura de:
- Fatores psicológicos: ruminação, perfeccionismo, medo do futuro, sensação de falta de controle.
- Fatores fisiológicos: cortisol alto, má higiene do sono, luz artificial, uso de dispositivos.
No meu trabalho como psicóloga, costumo ver um padrão muito claro: a noite se transforma em um
escritório de problemas aberto vinte e quatro horas por dia.
Conto uma anedota que se repete com variações em muitas pessoas:
Um paciente, vamos chamá-lo de Luis, me dizia:
“Durante o dia quase não penso nos meus problemas, mas quando apago a luz minha cabeça se transforma em um telejornal dramático que eu não consigo mudar de canal.” No caso dele, funcionou muito bem quando:
- Começou a organizar mentalmente suas preocupações antes do anoitecer.
- Deixou o celular fora do quarto.
- Usou respiração guiada e um jogo mental simples quando os pensamentos batiam à porta durante a noite.
Algo chave que ensinamos na terapia do sono:
não lute contra a insônia, negocie com ela. Se você entra em guerra com seus pensamentos, eles ganham. Se você os reconhece, os escreve, dá a eles um espaço controlado e muda o foco com estratégias úteis, o cérebro aprende um caminho novo.
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Jogos mentais para deter pensamentos persistentes ao tentar dormir
Aqui entra a parte divertida. O cérebro não sabe fazer bem duas coisas complexas ao mesmo tempo. Se você rumina e, ao mesmo tempo, o convida para um jogo mental específico, as preocupações perdem força.
Algumas técnicas que os especialistas citados pelo The Times recomendam, e que eu também uso com pacientes, são estas:
1. Reserve um “tempo para se preocupar” antes de dormir Entre trinta e sessenta minutos antes da hora de dormir:
- Sente-se com papel e caneta.
- Escreva tudo o que te inquieta: trabalho, família, economia, saúde, notícias.
- Depois escolha três prioridades para o dia seguinte.
Com isso você cria uma
zona de amortecimento entre o dia e a noite. O cérebro recebe a mensagem:
“Já cuidei das suas preocupações, agora não é hora de pensar nisso.” 2. Jogos de memória e listas mentais Quando os pensamentos insistentes aparecem na cama, você pode tentar:
- Lembrar com detalhes uma cena da sua série ou filme favorito, cena por cena.
- Fazer uma lista mental com palavras que comecem por cada letra do alfabeto, por exemplo, só frutas ou só cidades.
- Repassar uma viagem que gostou, desde que saiu de casa até que voltou, passo a passo.
Curiosidade: muitas pessoas adormecem antes de terminar o jogo. Não porque seja chato, mas porque a mente diminui a intensidade quando você para de alimentá-la com preocupações.
3. Atividades monótonas fora da cama Se passam uns vinte minutos e você continua muito acordado, não fique brigando com o travesseiro. Levante-se e vá para outro cômodo com luz bem suave. Você pode:
- Dobrar roupas limpas.
- Organizar uma gaveta sem pensar demais.
- Fazer um quebra-cabeça simples.
Isso quebra a associação
cama = ansiedade e ensina o cérebro que o quarto se relaciona só com dormir e com sexo, não com agonizar mentalmente.
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O poder da respiração e dos sentidos para acalmar a mente
A respiração influencia diretamente o sistema nervoso. Quando você respira rápido e raso, reforça o sinal de perigo; quando respira de forma lenta e profunda, ativa o modo calma.
1. Técnica de respiração 4 7 8 A especialista em psicologia positiva Ruth Cooper Dickson recomenda uma técnica bem popular:
- Inspire pelo nariz enquanto conta mentalmente até 4.
- Mantenha o ar enquanto conta até 7.
- Expire lentamente pela boca enquanto conta até 8.
Repita por pelo menos um minuto. Se colocar uma mão no peito e outra no abdome, como sugere a psicoterapeuta Kamalyn Kaur, o corpo recebe uma mensagem de contenção e segurança.
Curiosidade de psicologia fisiológica: esse tipo de respiração estimula o nervo vago, uma espécie de grande cabo que conecta cérebro e corpo e ajuda a frear a resposta ao estresse.
2. Meditação dos cinco sentidos A ideia é usar seus sentidos como âncora ao presente. Você pode tentar na cama, com a luz apagada:
- Observe a textura dos lençóis com as mãos.
- Sinta a temperatura do ar no rosto.
- Ouça os ruídos distantes e próximos sem julgar.
- Tome um gole de água e note a sensação ao passar pela garganta.
- Adicione um aroma suave, como lavanda, e respire-o com atenção.
A conselheira citada pelo The Times, Yasmin Shaheen Zaffar, destaca que o tato e o olfato acalmam muito durante a ansiedade.