Índice
- O que acontece no seu corpo quando você substitui integrais por refinados
- A fibra: muito mais que “para ir bem ao banheiro”
- Dieta baixa em fibra: problemas digestivos e risco de doenças crônicas
- Por que produtos refinados e suplementos de fibra não são a mesma coisa
- Como aumentar a fibra com alimentos integrais sem mal-estar
- Transformar sua saúde começando pelo que há no seu prato
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A substituição de alimentos integrais por produtos refinados reduziu de maneira dramática o consumo de fibra alimentar e de outros compostos protetores. Esse aparente “detalhe” tem consequências profundas: mais incômodos digestivos e maior risco de doenças crônicas, segundo concordam numerosos especialistas em nutrição e microbioma.
O que acontece no seu corpo quando você substitui integrais por refinados
Quando um cereal é refinado, o farelo e parte do germe são eliminados, e essas são justamente as frações mais ricas em fibra, vitaminas e compostos bioativos. O que resta é basicamente amido de digestão rápida.
Ao fazer essa mudança de forma sistemática, de pães e arroz integrais para pães brancos, biscoitos, confeitaria, cereais açucarados e snacks, seu corpo passa de receber um fluxo constante de fibra a viver praticamente “em seca” desse nutriente.
Essa queda não é pequena: calcula-se que até 97 por cento dos adultos não alcançam as recomendações diárias de fibra, que se situam, segundo a idade e o sexo, aproximadamente entre 25 e 34 gramas por dia. Visto de forma simples, isso significa que quase todas as pessoas consomem menos do que seu aparelho digestivo precisa para funcionar de forma fluida e para se proteger de processos inflamatórios.
Na literatura científica chegou-se a considerar a fibra como um
“nutriente de preocupação para a saúde pública”, porque seu déficit se associa de forma consistente a mais doenças crônicas e pior qualidade de vida.
Um dado curioso: populações tradicionais que praticamente não consomem produtos refinados podem chegar a ingerir mais de 80 gramas de fibra por dia, com taxas muito reduzidas de prisão de ventre, diverticulose e câncer colorretal.
O marmelo: alimento pouco consumido mas com alto teor de fibra A fibra: muito mais que “para ir bem ao banheiro”
O termo
fibra na verdade abrange uma família completa de carboidratos complexos de origem vegetal, com estruturas e funções distintas. De forma geral, fala-se de dois grandes grupos:
•
Fibra solúvel: dissolve-se em água e forma uma espécie de gel. Exemplos clássicos são os beta-glucanos presentes na aveia e na cevada. Essa fibra:
• Ajuda a reduzir o colesterol sanguíneo
• Aumenta a sensação de saciedade
• Contribui para estabilizar a glicose no sangue
•
Fibra insolúvel: não se dissolve em água e aumenta o volume do bolo fecal. Encontra-se em frutos secos, leguminosas, cereais integrais, alguns vegetais e na casca de muitas frutas. Sua função principal é facilitar o trânsito intestinal e prevenir a prisão de ventre.
Ambos os tipos são essenciais. Uma parte das fibras, sobretudo algumas solúveis, é fermentada pelas bactérias do intestino grosso. Como resultado, produzem-se ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato, o acetato e o propionato. Esses compostos:
• Nutrem as células do cólon
• Melhoram a absorção de certos minerais
• Diminuem a inflamação local e sistêmica
• Ajudam a regular a resposta imunológica
De fato, vários pesquisadores destacam que muitas doenças frequentes em sociedades industrializadas estão relacionadas com um
estado inflamatório crônico e uma desregulação do sistema imunológico que, em parte, se origina em um intestino pobre em fibra e com um microbioma empobrecido.
Outro aspecto chamativo é a capacidade da fibra de atuar como uma espécie de esponja ou matriz que captura substâncias indesejadas. Estudos recentes indicam que uma dieta rica em fibra pode contribuir para a eliminação de
toxinas ambientais, como certos microplásticos, facilitando sua expulsão pelas fezes. A fibra, nesse sentido, funciona como uma barreira adicional frente à poluição cotidiana.
Dieta baixa em fibra: problemas digestivos e risco de doenças crônicas
Quando o consumo de fibra cai porque se priorizam produtos refinados, o impacto se faz notar em diferentes níveis.
No dia a dia, as consequências mais visíveis costumam ser digestivas:
• Prisão de ventre persistente ou alternância com diarreia
• Sensação de peso e distensão abdominal
• Maior tendência a hemorroidas e fissuras anais
• Aparição mais frequente de divertículos
• Desconforto geral após as refeições
Em programas de educação nutricional nos quais participei como consultora virtual, é comum que pessoas que baseiam sua alimentação em pães brancos, snacks, bebidas açucaradas e comidas rápidas relatem um padrão semelhante: vão ao banheiro a cada vários dias, com esforço, dor e muita frustração. Quando se introduzem de forma paulatina alimentos integrais e mais vegetais, a melhora no trânsito intestinal costuma ser descrita como “surpreendentemente rápida”.
Além do intestino, a carência crônica de fibra associa-se a um risco elevado de:
• Obesidade e dificuldade para regular o apetite
• Diabetes tipo 2 e problemas de resistência à insulina
• Doença cardiovascular, por alterações nos lipídios e na pressão arterial
• Câncer colorretal
• Maior incidência de doenças inflamatórias crônicas e algumas autoimunes
• Mais alergias e transtornos ligados a uma resposta imunitária desbalanceada
Livros sobre microbioma e saúde intestinal, como os escritos por pesquisadores que estudam a relação entre dieta, bactérias intestinais e imunidade, coincidem em um ponto central:
uma dieta rica em fibra de origem vegetal associa-se de forma consistente a menor inflamação e menor risco de múltiplas patologias crônicas.
Um detalhe interessante é que a fibra também influencia o estado de ânimo. Através do eixo intestino-cérebro, os metabólitos produzidos pelas bactérias ao fermentar a fibra modulam neurotransmissores e substâncias implicadas na percepção do estresse e da ansiedade. Pessoas que melhoram seu padrão alimentar, aumentando frutas, verduras, leguminosas e cereais integrais, costumam descrever não só melhor digestão, mas também
mais clareza mental e melhor estabilidade emocional.
Por que produtos refinados e suplementos de fibra não são a mesma coisa
A queda no consumo de fibra nas últimas décadas está intimamente ligada ao auge de alimentos ultraprocessados. O refinamento do trigo, do arroz e de outros cereais, assim como a produção de snacks, biscoitos e bebidas açucaradas, fez com que a maior parte das calorias provenha de produtos com pouquíssima ou nenhuma fibra.
Como resposta, o mercado ofereceu suplementos e alimentos “enriquecidos” com fibra: barrinhas, iogurtes com fibras agregadas, bebidas com inulina, entre outros. Costumam usar ingredientes isolados como:
• Psyllium
• Metilcelulose
• Inulina e frutooligossacarídeos
Embora alguns desses suplementos possam ser úteis em contextos concretos, os estudos sobre sua eficácia são variados. Em geral, os resultados dependem do tipo de fibra, da dose e, sobretudo, das características do microbioma da pessoa. Ainda faltam ensaios clínicos robustos e comparações sistemáticas entre a fibra de suplementos e a dos alimentos integrais.
Além disso, as fibras concentradas, sobretudo em forma líquida ou em grandes quantidades, podem provocar:
• Inchaço intenso
• Gases excessivos
• Diarreia ou fezes muito moles
• Maior sensibilidade intestinal em pessoas predispostas
Uma das razões é que os líquidos com fibra atravessam o tubo digestivo com mais rapidez do que os alimentos sólidos ricos em fibra, o que pode disparar sintomas em pessoas com intestinos sensíveis.
Por outro lado, a fibra isolada carece da
complexidade nutricional de um alimento vegetal completo. Uma leguminosa, por exemplo, não traz apenas fibra, mas também:
• Proteínas vegetais
• Vitaminas do complexo B
• Minerais como ferro, magnésio e potássio
• Fitoquímicos antioxidantes
• Diferentes tipos de fibra combinados em uma mesma matriz
Algo similar ocorre com uma maçã com casca, uma cenoura crua ou um punhado de frutos secos. Nenhum suplemento pode reproduzir exatamente essa sinfonia de nutrientes e compostos bioativos. A recomendação dos especialistas é clara:
os suplementos podem ser um apoio pontual, mas a base deve ser sempre a fibra procedente de alimentos vegetais reais.
Como aumentar a fibra com alimentos integrais sem mal-estar
Aumentar a fibra não significa passar da noite para o dia para uma dieta perfeita. De fato, mudanças bruscas podem gerar desconfortos. A chave está em uma progressão gradual e realista. Algumas estratégias práticas:
•
Aumentar a fibra aos poucos Comece adicionando uma porção extra de fruta ou legume por dia e, a cada poucos dias, some uma nova fonte de fibra. Isso dá tempo ao seu microbioma para se adaptar.
•
Beber água suficiente A fibra, sobretudo a insolúvel, funciona melhor quando há hidratação adequada. Sem água, pode agravar a prisão de ventre em vez de aliviá-la.
•
Priorizar alimentos integrais em cada refeição • Café da manhã: aveia, pão de grão inteiro, fruta fresca com casca, sementes de chia ou linhaça moída
• Almoço e jantar: meio prato de verduras, uma porção de leguminosas várias vezes por semana, cereais de grão inteiro como arroz integral, quinoa ou cevada
• Snacks: fruta, frutos secos, pipoca feita em casa com pouco óleo e sem açúcares adicionados
•
Buscar variedade de plantas As pesquisas mostram que pessoas que consomem mais de trinta tipos distintos de plantas por semana tendem a apresentar um microbioma intestinal mais diverso. Não é preciso ficar obcecado em contar, mas vale a pena propor-se variar: diferentes frutas, verduras de todas as cores, leguminosas variadas, frutos secos e sementes.
•
Escolher opções acessíveis Não é imprescindível recorrer a produtos caros. Algumas opções econômicas e ricas em fibra são:
• Frutas congeladas para vitaminas ou sobremesas simples
• Leguminosas secas ou enlatadas, bem lavadas antes de consumir
• Abacate, que aporta fibra e gorduras saudáveis
• Sementes de chia e linhaça, fáceis de adicionar a iogurte, saladas ou sopas
Em iniciativas de educação alimentar, muitas pessoas descobrem que, ao substituir parte dos produtos refinados por essas opções simples, não só melhoram sua digestão, mas também notam mais energia sustentada ao longo do dia e menos vontade de comer doces.
Transformar sua saúde começando pelo que há no seu prato
A substituição de alimentos integrais por produtos refinados esvaziou de fibra e nutrientes protetores grande parte da alimentação moderna. Esse déficit contribui para incômodos digestivos frequentes e para um ambiente interno mais proclive à inflamação e às doenças crônicas.
Ao mesmo tempo, a evidência acumulada aponta algo muito alentador:
recuperar a presença de alimentos vegetais integrais e variados no prato tem um impacto profundo e positivo no microbioma, no sistema imunológico, no metabolismo e no bem-estar emocional.
Em palestras de educação sobre saúde intestinal repete-se uma ideia que, embora simples, é poderosa: cada vez que você escolhe uma fruta inteira em vez de um suco açucarado, um pão integral em vez de um branco, leguminosas caseiras em vez de um prato ultraprocessado, você está enviando uma mensagem clara ao seu corpo e ao seu microbioma: “quero um terreno menos inflamado, mais resiliente e com melhor defesa frente às doenças”.
Não se trata de perfeição, mas de direção. Começar por pequenas mudanças sustentadas, priorizando alimentos integrais ricos em fibra e reduzindo progressivamente os refinados, pode fazer a diferença entre um intestino que mal “sobrevive” e um que realmente
floresce, apoiando sua saúde a longo prazo.
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