Índice
- Como começar a praticar a escrita terapêutica
- 1. Escrever um diário para compreender suas emoções
- 2. Cartas que você não enviará para soltar o que ficou pendente
- 3. Escrita livre para acalmar a mente acelerada
- 4. Poemas e metáforas para expressar sentimentos difíceis
- 5. Lista de prós e contras para tomar uma decisão
- O que fazer depois de escrever
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Você já colocou para fora tudo o que carrega dentro de si em um diário, um caderno ou até mesmo em um guardanapo enquanto esperava seu pedido?
Se fez isso, você já experimentou um pouco da escrita terapêutica. É uma ferramenta simples, acessível e muito pessoal que pode ajudar você a organizar pensamentos, reconhecer emoções e olhar para seus problemas sob outra perspectiva.
Não se trata de escrever bonito nem de criar uma obra literária. Você também não precisa ter boa ortografia ou uma letra perfeita. O importante é poder se expressar com honestidade, sem se corrigir a todo momento e sem imaginar que alguém vai julgá-lo.
A escrita terapêutica utiliza as palavras para explorar emoções, processar experiências e identificar conflitos internos. Ao escrever, aquilo que ficava girando em sua cabeça ganha uma forma mais concreta. Isso nem sempre resolve o problema imediatamente, mas pode reduzir a confusão e mostrar do que você precisa.
Você não precisa ser Gabriel García Márquez. Basta ter alguns minutos, um lugar relativamente tranquilo e disposição para se escutar.
Como começar a praticar a escrita terapêutica
Escolha um caderno que possa guardar em um lugar privado ou use um documento protegido. Comece com sessões de cinco a dez minutos. Se em algum dia você não souber o que dizer, escreva justamente isso: “Não sei o que escrever, mas neste momento sinto...”. Muitas vezes, essa frase abre a porta para aquilo que estava escondido.
Não se obrigue a reler tudo imediatamente. Algumas páginas precisam descansar. E se um exercício provocar uma angústia intensa ou despertar lembranças difíceis, você pode parar, respirar e buscar apoio profissional. Escrever pode acompanhar um processo terapêutico, mas não substitui o atendimento psicológico quando você precisa dele.
1. Escrever um diário para compreender suas emoções
Você se lembra daqueles diários de adolescente com cadeado? Os adultos também podem ter um. Manter um diário permite desabafar e observar como suas emoções mudam ao longo dos dias.
Experimente este exercício: reserve dez minutos antes de dormir e escreva o que aconteceu durante o seu dia. O que foi melhor? O que incomodou você? Houve alguma conversa que você continua repassando? Você reagiu a alguém quando, na verdade, estava cansado ou preocupado?
Você não precisa contar cada detalhe. Pode completar três frases: “Hoje agradeço...”, “Hoje doeu em mim...” e “Amanhã preciso...”. Se quiser se aprofundar nesse hábito, também pode ajudar ler por que escrever um diário íntimo favorece o crescimento interior.
2. Cartas que você não enviará para soltar o que ficou pendente
Escreva uma carta para alguém com quem você tenha assuntos pendentes. Pode ser um ex-parceiro, um familiar, um amigo ou até uma versão anterior de si mesmo. Expresse o que você calou, o que doeu e aquilo que agora compreende.
A intenção não é enviá-la. O objetivo é dar a si mesmo permissão para falar sem filtros e descobrir qual emoção precisa de atenção. Talvez você encontre raiva por baixo da tristeza, ou medo por trás de uma aparente indiferença.
Quando terminar, decida o que fazer com a carta. Você pode guardá-la, rasgá-la ou destruí-la de forma segura. Se optar por conservá-la, deixe-a em um lugar privado para evitar que ela chegue acidentalmente ao destinatário.
3. Escrita livre para acalmar a mente acelerada
A escrita livre consiste em deixar a mente seguir adiante sem um objetivo específico. Coloque um cronômetro para cinco, dez ou quinze minutos e escreva, sem parar, tudo o que surgir.
Não apague, não organize e não se preocupe se você saltar de uma conta pendente para uma lembrança da infância. O resultado pode parecer caótico, mas esse fluxo costuma revelar preocupações repetidas, desejos ignorados ou tarefas que estão consumindo energia mental.
Se a ansiedade estiver muito presente, você pode começar descrevendo o que percebe ao seu redor: a temperatura, os sons, o contato dos seus pés com o chão. Depois, escreva: “Neste instante, minha mente me diz...”. Essa pequena mudança ajuda a observar o pensamento sem automaticamente confundi-lo com uma verdade.
Você também pode complementar o exercício com esta técnica japonesa para acalmar a ansiedade.
4. Poemas e metáforas para expressar sentimentos difíceis
Há emoções que são difíceis de explicar de maneira direta. Nesses casos, uma metáfora pode aproximar você daquilo que sente. Você não precisa se considerar uma pessoa criativa nem respeitar regras poéticas.
Imagine sua tristeza como uma tempestade dentro de uma xícara de café. Que sabor ela tem hoje? Se sua preocupação fosse um quarto, teria janelas? Se sua esperança fosse uma planta, de que ela precisaria para crescer?
Essas imagens criam uma distância gentil em relação à emoção. Às vezes, é mais simples descrever “uma pedra sobre o peito” do que encontrar imediatamente o nome exato daquilo que pesa.
5. Lista de prós e contras para tomar uma decisão
Quando você está diante de uma decisão importante, dividir uma folha em duas colunas pode trazer clareza. Anote os benefícios e os possíveis inconvenientes de mudar de emprego, se mudar, terminar um relacionamento ou adotar um animal.
Não se limite a contar quantos itens aparecem em cada coluna. Observe o quanto cada um deles pesa para você. Um único inconveniente relacionado à sua segurança ou aos seus valores pode ser mais importante do que cinco vantagens menores.
Acrescente estas perguntas: qual opção me aproxima da vida que desejo?, o que estou escolhendo por medo?, que informação me falta? e que conselho eu daria a uma pessoa querida na minha situação? Se você continuar travado, este artigo sobre o que considerar antes de tomar uma decisão arriscada pode orientá-lo.
O que fazer depois de escrever
Quando terminar, respire lentamente e perceba como seu corpo está. Você pode sublinhar uma frase importante ou anotar uma ação pequena e realista. Talvez precise conversar com alguém, descansar, estabelecer um limite ou pedir ajuda.
A escrita terapêutica pode dar aquele impulso de que você precisa para se entender melhor e tomar decisões mais conscientes. Ela só exige papel e caneta, embora um guardanapo e um lápis de batom também possam servir em uma emergência criativa 🙂.
Não existem regras rígidas. Você pode escrever todos os dias ou apenas quando se sentir confuso. Pode guardar suas páginas ou descartá-las. O essencial é que esse espaço seja seguro e sincero para você.
Qual dessas técnicas chamou mais a sua atenção? Escolha uma e experimente hoje por cinco minutos. Não busque uma revelação extraordinária. Às vezes, escrever uma única verdade que você evitava há muito tempo já representa uma mudança.
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